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Nós temos 20 visitantes online| Entrevista com Márcio Coelho, curador do Encontro Internacional da Canção para Crianças |
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| Música - Artigos e Teses | |
| Escrito por Adriana Napoli | |
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Os espetáculos do Encontro Internacional da Canção para Crianças acontecem em duas unidades do Sesc: Pompeia em São Paulo - tel. (11) 3871-7700 e Sesc Ribeirão Preto - tel. (16) 3977-4477, entre os dias 24 e 28 de junho. A programação completa está no site www.sescsp.org.br. Segue abaixo entrevista exclusiva para o Portal Cultura Infância, com o curador Márcio Coelho do Encontro Internacional da Canção para Crianças, concedida à atriz e arte-educadora Adriana Napoli.
Portal Cultura Infância: O que o estimulou a tornar-se um cancionista dedicado à música infantil? Márcio Coelho: Eu trabalhava, na Secretaria da Cultura de Ribeirão Preto, juntamente com a artista plástica e autora de livros de imagens, Regina Rennó, que sugeriu que eu musicasse livros infantis da Editora Ática. A Ática gostou da idéia, então montei um espetáculo chamado “Letra Mágica” no qual musiquei vários autores da editora. Depois de algum tempo, passei a dar aulas de música na Educação Infantil, então comecei a criar minhas próprias canções para meus alunos. Em pouco tempo já tinha o repertório para um CD, foi quando lancei o “Vida Colorida”, meu primeiro CD para crianças. Desde então me encantei com esse público de tal maneira que fiquei onze anos sem produzir um CD para o público adulto; no ano passado lancei o “Eu Comigo Mesmo” para adultos.
PCI: Quais os maiores desafios que um compositor para crianças encontra?
Márcio Coelho: Os mesmo que um compositor para adultos, com a diferença de que, se as crianças não gostarem do repertório, elas levantam da poltrona e ignoram sua apresentação. Contudo, percebo que alguns compositores são mais eficientes do que outros em persuadir as crianças, mesmo sem apelar para aspectos extra-cancionais. É um mistério a ser investigado, porém, estou certo de que tratar a criança respeitando a sua capacidade intelectual é um procedimento imprescindível, assim como dar maior ênfase à expressão do que ao conteúdo, ou como diria Luiz Tatit, ao modo de dizer do que àquilo que está sendo dito. Todavia isso não quer dizer que o compositor de canções para criança deva negligenciar a letra da canção.
PCI: Canções para crianças, muitas vezes agrada ao público adulto também. O que então classifica uma música como infantil?
Márcio Coelho: Essa pergunta é muito interessante. Em geral, o público de um espetáculo para crianças é formado por dois terços - ou pelo menos pela metade - de adultos. Isso é um desafio para nós, pois temos de criar um espetáculo que não enfade aqueles que levam as crianças para nos assistir. Creio que, diante desse desafio, a experiência foi moldando nossa maneira de compor de modo a que agradássemos ambos os públicos. Eu, particularmente, gosto de criar CDs que acompanhem a infância, ou seja, quando a criança de 2, 3, ou 4 anos ganha um CD meu, certamente vai gostar de algumas canções e pular outras ao ouvi-lo. Paulatinamente, de acordo com a ampliação da sua capacidade cognitiva, essa mesma criança vai deixando de se interessar pelas canções que a persuadiram inicialmente e passará a se interessar por outras cujo conteúdo demanda maior capacidade intelectiva; e assim vai até que ela chegue à adolescência e passe a se interessar por outro tipo de canção. O interessante é que, nos meus espetáculos e nos de outros cancionistas que trabalham de modo similar a mim, ocorre o que chamo – evocando o Luis Pescetti – de rede de contaminação. Tudo funciona como se nossas canções fossem elos de contaminação entre os públicos de várias idades. Por exemplo: uma canção para crianças com idade abaixo de quatro anos pode não agradar tanto os pré-adolescentes ou os adultos, mas estes se encantam ao ver o encanto da criança menor. De modo análogo, uma canção mais direcionada ao público maior pode suscitar um diálogo explicativo entre os pais (ou irmão maiores) e as crianças menores. Agora, embora minha resposta seja óbvia ao extremo, o que classifica uma canção como infantil é o fato de ela ser produzida para crianças, assim como o compositor canadense Murray Shaffer - contra tantas outras definições de música – diz que música é uma organização de sons criada com o objetivo de ser ouvida por um público.
PCI: Qual a participação que se espera do público, durante um espetáculo musical? Deve haver necessariamente interação?
Márcio Coelho: Eu gosto muito da participação do público. Cada vez mais tenho composto canções em que crianças e adultos devam participar sob pena de sua apresentação não ser muito interessante. Mas penso que há medida para isso e que a interação não pode ser condição sine qua non para que haja um bom espetáculo para crianças.
PCI: Em shows musicais destinados à criança, é necessário somar o uso de elementos visuais?
Márcio Coelho: Não. Porém, não somos radicalmente contra os elementos visuais, mesmo porque os utilizamos. Mas penso que eles não podem servir para suprir a deficiência da eficácia cancional, muitos menos se apresentar como elementos mais importantes do que a manifestação sonora.
PCI: Para você, artista que já integrou edições do Encontro da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha, como é apresentar-se para crianças de outros países que não falam a mesma língua das canções?
Márcio Coelho: É um desafio muito grande. Em alguns casos, eu crio versões em espanhol da canção, em outros, apenas verto o refrão ou algumas partes ou frases. No geral, a persuasão fica por conta da expressão, do modo de dizer melódico; aí eu conto com o privilégio de ser brasileiro, pois nossa riqueza rítmica e melódica encanta todos (crianças e adultos) os latino-americanos. Até hoje esse procedimento deu certo. Estou curioso pra ver como os cantantes de língua espanhola vão resolver essa questão aqui no Brasil.
PCI: Como vocês foram escolhidos para fazerem a curadoria do Encontro?
Márcio Coelho: Na verdade, eu e a Ana Favaretto propusemos ao SESC a realização desse encontro. O Jayme Paez, gerente adjunto do SESC Pompéia, e o Hideki Yoshimoto, gerente do SESC Ribeirão, são pessoas que tem um apreço especial pela cultura infantil, daí não foi difícil convencê-los a realizar o Encontro. Certamente, pela nobreza da proposta e pela credibilidade dos dois, a Diretoria Regional do SESC São Paulo também abraçou a idéia. A curadoria foi decorrência de termos tido a idéia; de estarmos profundamente envolvidos com universo cancional infantil, além de termos experiência na realização de eventos similares, como o 1º Festival Brasileiro da Canção Infantil – Ribeirão Criança.
PCI: O Encontro Internacional da Canção para Crianças é parte do Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha?
Márcio Coelho: A rigor o Encontro Internacional da Canção para Crianças não faz parte do da série de encontros realizados pelo Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha. Entretanto, quase todos os participantes fazem parte do Movimento. O que acontece é que nas plenárias dos encontros do Movimento sempre há o estímulo para que os participantes organizem encontros intermediários aos bianuais, que o Movimento realiza. Muitos participantes organizam encontros deste tipo.
PCI: Como surgiu o Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha?
Márcio Coelho: O primeiro encontro aconteceu, em 1994, em Havana, com o apoio da Casa de las Américas, e contou com representantes de Cuba, México, Colômbia, Argentina e Venezuela. Tal iniciativa redundou na fundação do Movimento que desde então ganhou adesão de vários outros países e participantes. Eu e a Ana Favaretto embarcamos no Movimento, em 2003, quando foi realizado no Brasil, em Belo Horizonte.
PCI: Este Encontro acontecerá somente no SESC de Ribeirão Preto e no SESC Pompéia (São Paulo), ou outros estados brasileiros também poderão contemplar os espetáculos?
Márcio Coelho: O Encontro só acontecerá nestas cidades. O SESC Pompéia encampou nossa proposta e firmou parceria com Ribeirão. Chegamos a propor a outras unidades do SESC a realização de alguns shows, mas, infelizmente, não conseguimos ajustar as agendas.
PCI: Como foi feita a seleção dos grupos musicais que participarão do Encontro?
Márcio Coelho: A escolha dos estrangeiros ficou por nossa conta e a escolha dos brasileiros - a partir de uma lista por nós apresentada - ficou a cargo da equipe do SESC Pompéia.
PCI: O que os Encontros têm contribuído para o panorama musical latino-americano e caribenho?
Márcio Coelho: Temos constado várias decorrências desses encontros. A que mais me chama a atenção é como a produção dos cancionistas envolvidos foi ganhando contornos de unidade ideológica. O Intercâmbio está cada vez mais intenso. Grupos cantam e/ou gravam composições de autores que não fazem parte de sua formação. Por exemplo: O Cantoalegre canta a Palavra cantada, que canta o Luís Pescetti, que vai cantar comigo uma versão que fiz para uma canção sua. Enfim, Encontro Internacional da Canção para Crianças, embora não seja um dos encontros do Movimento da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha, vai ser, para o público brasileiro, uma bela amostra da integração da America Latina por meio da canção responsável para crianças. E mais: O 9º Encontro da Canção Infantil Latino-americana e Caribenha está previsto para outubro deste ano, no México
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“A cada dois anos, artistas de vários países latino-americanos se encontram em um país determinado para discutir a produção cancional para crianças. O que une estes artistas é o respeito à capacidade intelectual da criança, por meio de uma produção cancional elaborada do ponto de vista da expressão e do conteúdo.”

Elisandra
Abraços Cleuza
Regina Rennó